Quando se pesquisa sobre Alcobaça, seja na internet ou até mesmo em bibliotecas, geralmente se encontra um bocado de mentiras sobre a cidade: informações erradas, mal-interpretadas ou até mesmo inventadas. E o pior é que com a proliferação de sites da internet - a grande maioria deles sendo escrita por gente que ou não sabe pesquisar ou não sabe escrever em bom português - essas mentiras acabam sendo reproduzidas como se fossem um vírus. Um site copia o outro, e se o primeiro site estiver errado então todos os outros que o copiaram também estarão errados - parece aquela brincadeira do "telefone sem fio". Então, está na hora de expor essas mentiras e contar a verdade. Abaixo estão 5 mentiras que as pessoas contam e espalham sobre Alcobaça:
1) Alcobaça foi fundada em 1755
É mentira! Alcobaça foi fundada em 12 de novembro de 1772. Já existia no mesmo local um vilarejo que ninguém sabe quando foi fundado, mas esse vilarejo pertencia ao município de Caravelas. O erro de dizer que Alcobaça foi fundada em 1755 se deve a uma interpretação equivocada de um documento antigo.
2) Alcobaça foi emancipada em 1896
Outra mentira. O que aconteceu em 1896 foi a elevação de Alcobaça da categoria de vila à categoria de cidade. Na prática, no Brasil antigo, vila e cidade eram a sede do município - ou seja, eram ambas organizações políticas "emancipadas". Logo, não mudou nada na organização política de Alcobaça, que não ficou nem mais independente, nem menos independente, nem aumentou, nem diminuiu de tamanho com a elevação à categoria de cidade. O mesmo não acontece com Teixeira de Freitas, que foi "emancipada" em 1985 porque pertencia a Alcobaça. Ou com Medeiros Neto, que foi "emancipada" em 1958 quando se desmembrou de Alcobaça.
3) Os primeiros habitantes de Alcobaça vieram de Alcobaça de Portugal
Quem disser isso vai ter de provar. Em nenhum dos documentos antigos que restaram sobre a administração de Alcobaça consta que os dois primeiros habitantes do local - Antonio Gomes Pereira e Antonio Mendes - eram de Alcobaça de Portugal. O que consta é que eles eram de Caravelas e se mudaram para o Itanhém em busca de terras mais férteis para plantar. O nome Alcobaça só foi escolhido no dia 12 de novembro de 1772, dia da fundação da vila, porque havia uma ordem do rei de Portugal mandando criar vilas no Brasil com o mesmo nome de vilas e cidades portuguesas.
4) Alcobaça era um vilarejo de pescadores
Muitos guias de turismo e descritivos turísticos em geral gostam de dizer: "Até bem pouco tempo atrás, a cidade XYZ era uma simples vila de pescadores". Se disserem isso de Alcobaça, é mentira! Alcobaça nunca foi uma simples vila de pescadores. Alcobaça já foi, isto sim, o município mais populoso do extremo sul e sempre foi um dos mais importantes da região, concorrendo em pé de igualdade com Caravelas e Porto Seguro. Lembre-se que os municípios de Medeiros Neto, Itanhém e Teixeira de Freitas (oitavo município mais populoso da Bahia, atualmente) já pertenceram a Alcobaça. E Alcobaça tem o rio Itanhém, que foi um importante meio de transporte dos produtos vindos das grandes fazendas da região. Uma cidade que tivesse um rio tão importante quando o Itanhém e que tivesse terras tão férteis obviamente teria importância econômica muito maior do que a de uma simples vila de pescadores.
5) Os casarões antigos de Alcobaça são casarões coloniais
Quem diz isso não sabe o que está dizendo. Os casarões antigos que ainda restam em Alcobaça foram construídos, no máximo, na segunda metade do século XIX, quando o Brasil já era Império desde várias décadas antes. Além disso, os casarões e sobrados têm detalhes neoclássicos ou neogóticos, típicos da segunda metade do século XIX ou início do século XX. Assim, é uma grande besteira dizer que os casarões de Alcobaça são coloniais.
Se você quiser saber as fontes documentais dessas informações, leia o livro
História de Alcobaça-Bahia (1772-1958), lançado em dezembro de 2010. O livro conta a história antiga de Alcobaça em detalhes e tem também muitas páginas de referências bibliográficas (sobretudo manuscritos originais de séculos passados e boas fontes secundárias impressas) que são riquíssimas fontes de informações sobre a cidade.
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