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Educação em Alcobaça: turismo se "fortalece", mas história sai perdendo

Data: 10.5.11 1 comentário

Recentemente foi publicada em um veículo de comunicação da região extremo sul da Bahia uma matéria sobre a relevância e fortalecimento do turismo como disciplina escolar em Alcobaça (clique aqui para ler), cidade eminentemente turística. A matéria dá espaço para professores incensarem o turismo e sua importância para Alcobaça. Mas o que a matéria não revela é que em Alcobaça, diferente de outras cidades turísticas antigas, a base do turismo - isto é, a história local - é solenemente ignorada pelos próprios professores, que deveriam estar incentivando-a.

Por que a base do turismo é a história? Porque praia e belas paisagens naturais tem em qualquer lugar, mas a história de uma cidade é só dela, e o turismo nada mais é do que marketing para atrair consumidores (consumidores de lazer), que querem comprar algo que lhes pareça interessante e único (se o turista não quisesse algo de interessante, ele faria turismo em casa mesmo!). Pense bem: quando um turista de alto poder aquisitivo resolve passar uma temporada à beira-mar, o que o faz ir se decidir entre uma cidade e outra, já que todas as cidades litorâneas têm praia - por exemplo, entre Alcobaça, Mucuri, Nova Viçosa ou Prado? Uma cidade que queira se tornar bem-sucedida como destino turístico tem de investir não somente no marketing das belezas naturais, mas também no marketing daquilo que a torna única no mundo: sua própria história.

Na região extremo sul da Bahia, Alcobaça é a única cidade que tem, além de uma longa faixa de praia urbana (e outros tantos de praias semiurbanas), também um conjunto arquitetônico harmonioso formado por prédios antigos bem conservados e que definem a paisagem inconfundível do centro da cidade. Quem caminha pelas ruas do centro histórico de Alcobaça, caminha pela própria história. Os casarões são herança da época do "coronelismo", quando a elite rural mandava na política alcobacense e tinha dinheiro suficiente para investir em imóveis urbanos de alta representatividade. O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia esteve em Alcobaça no final dos anos 1970 e recomendou vários desses imóveis para tombamento - fato que comprova a importância desses casarões não somente pela beleza, como também do ponto de vista da história da arquitetura na Bahia. Isso deveria estar sendo enfatizado no turismo local. Não basta dizer que o casarão tal é um "belo casarão colonial" e acaba por aí. É preciso informar quem construiu esses casarões e quando e como eles se modificaram no decorrer do tempo. E esse conhecimento já existe (se você não sabe onde ele está, clique aqui para saber).


Rua Pedro Muniz, em Alcobaça, que reúne um conjunto harmonioso de casas, casarões e sobrados antigos. Clique na imagem para ampliar.

Agora, surge a pergunta: será que os professores de Alcobaça, mesmo sabendo da existência e acessibilidade desse conhecimento (informação que receberam tanto por meios eletrônicos, nas redes sociais, como pessoalmente), se interessam em adquiri-lo para repassar aos alunos e, com isso, fomentar o desenvolvimento do turismo na cidade?

A resposta é um grande e sonoro NÃO.

Os professores de Alcobaça, de um modo geral, não estão interessados na história de Alcobaça. Podem até passar tarefas de pesquisa histórica aos alunos, mas se contentam em receber de volta cópias da manjada "Carta Régia", o tal documento que, segundo falsamente se acredita, teria fundado Alcobaça.

Essa falta de interesse tem um pouco a ver com falta de autoestima: quem não está nem aí para a história da própria cidade, não está nem aí para si mesmo e não se vê como sujeito, mas sim como expectador da história dos outros. E se o professorado está assim, imagine só o que se passa com o alunado, que recebe orientação desses mesmos professores desinteressados... Pensando no longo prazo, imagine a repercussão dessa falta de interesse daqui a 20, 30 anos, quando os jovens de hoje serão adultos e, quem sabe, estiverem em posições de destaque e poder na sociedade local? O que faz uma pessoa de destaque e poder que não aprendeu a valorizar a herança das gerações anteriores e a história local? Ela destrói. Ela manda derrubar casarões "velhos". Manda pintar prédios antigos com cores berrantes. Manda ocupar prédios históricos para usá-los como simples depósitos. Ela deixa que os vândalos destruam monumentos históricos importantes do ponto de vista arquitetônico.

Professores de Alcobaça, acordem! Preocupem-se menos com a ciência do turismo e mais com o turismo na prática! Ensinem aos jovens a verdade: a base do turismo é a história! Ensinem que seria burrice uma cidade turística antiga não explorar as informações e potencialidades deixadas pelas gerações anteriores, isto é, não explorar aquilo que a cidade tem se único e exclusivo! Enfim, ensinem história!

1 comentário(s):

Educação em Alcobaça:turismo se "fortalece"...acrescento mais ,
vi vendedores , crianças e adultos jogando lixo nas praias.(Não estou aqui isentando os turistas sem educação). Na escola também aprendemos a história da nossa cidade e a sustentabilidade do planeta, como disse o Fábio, turismo na prática professores!!
Muito bem tê-lo de volta!
Abraços
Mariza

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