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A ligação dos Almeida com a política baiana e nacional

Data: 16.7.10 Nenhum comentário

Há alguns meses foi publicado o livro "O clã Almeida de Caravelas e Alcobaça", que conta a história de mais de 300 anos dos Almeida, uma família que saiu de Lisboa no século XVIII, passou por Salvador e no início do século XIX foi parar em Caravelas e Alcobaça. Quem ainda não viu o livro não sabe o que está perdendo, pois além da história das famílias que compõem o clã dos Almeida o livro traz ainda um verdadeiro mergulho na vida do extremo sul baiano nos últimos séculos (principalmente Alcobaça, Caravelas e Prado), com detalhes inclusive sobre fazendas antigas, costume e política, e também um pouco sobre figuras históricas de Santos (SP) e Curitiba (PR).

Abaixo, reproduzo um trecho do livro sobre a relação de quase 200 anos dos Almeida com a política. Vale lembrar que o clã Almeida é formado por diversas famílias, tais como os Neves, os Siquara, os Muniz de Almeida, os Almeida Galeão, os Almeida Alcântara etc. - todas com uma mesma origem genealógica comprovada.

Os Almeida e a política

Se há uma coisa que unifica as diversas famílias pertencentes ao clã dos Almeida é a política. Os Almeida são um clã de políticos.

Para início de conversa, quando os Almeida chegaram a Caravelas, há duzentos anos, os cargos militares que ocuparam inicialmente tinham forte conotação administrativa e política: capitão-mor, oficiais dos terços das ordenanças, alferes etc. Esses cargos, em geral, eram dados a cidadãos respeitados que tivessem alguma representatividade na elite local.

Após a Independência, foram criadas duas instituições que reforçaram a presença do clã Almeida na vida política: a Guarda Nacional e as Câmaras Municipais. A Guarda Nacional foi criada como instituição militar de defesa dos municípios e desde o início, devido a seu caráter local, tinha fortes conotações políticas: para ser nomeado alferes, coronel, capitão etc., o indivíduo tinha de ter determinada renda anual e ser indicado por outros membros da corporação, fazendo com que se formasse uma espécie de “panelinha”. Essa panelinha, mais tarde, acabou gerando o termo “coronelismo”, que indica um fenômeno da história do Brasil através do qual os homens da elite rural, donos de terras, acabam recebendo (ou até “comprando”) os cargos políticos mais importantes do município.

A outra instituição criada após a Independência do Brasil foi a Câmara de Municipal, que na época era chamada de “Concelho” com “c” e correspondia, na prática, a um conselho de governo com poderes legislativos e executivos, já que seu presidente exercia funções que correspondem hoje ao cargo de prefeito. Assim, durante todo o Brasil Império, os presidentes da Câmara Municipal eram o mesmo que prefeito. Após o fim do Império, criou-se o Conselho de Intendência para substituir as Câmaras Municipais e o presidente desse conselho era o intendente, que também tinha funções dos atuais prefeitos. Foi somente na década de 1930 que surgiu a denominação “prefeito” para designar o chefe do executivo municipal, já perfeitamente separado do corpo do legislativo, formado pela Câmara Municipal ou Câmara de Vereadores.

Em Caravelas, os Almeida começaram a ocupar a Câmara Municipal desde os primeiros anos. José Ignácio de Almeida, por exemplo, foi presidente da Câmara pelo menos duas vezes, entre 1833 e 1845. Ernesto Caetano de Almeida foi intendente na mesma cidade no início do século XX. Em 1907, João Vicente Castro de Almeida ganhou a eleição para intendente, mas foi impedido de tomar posse, desencadeando uma grave batalha política.

Mais tarde, os irmãos Jesus Siquara, descendentes de uma Almeida, passaram a atuar na política caravelense. Moacyr de Jesus Siquara foi prefeito em 1955-1958, seguido de Achiles, em 1963-1966. Enquanto isso, Elias foi presidente da Câmara Municipal durante vinte anos.

Em Prado, Orlando Sulz de Almeida foi prefeito na segunda metade do século XX.

Em Itabuna, o caravelense José de Almeida Alcântara teve carreira mais longa: foi prefeito em 1959-1963 e 1967-1971 e deputado estadual em 1963-1967.

Os Almeida foram políticos também em outros Estados. Em Santos (SP), Mário de Almeida Alcântara, irmão de José de Almeida Alcântara, foi presidente da Câmara Municipal em 1948-1951. Na mesma cidade, João Galeão Carvalhal foi intendente em 1891-1892 e 1905, deputado estadual por São Paulo em 1892-1897, deputado federal eleito em 1897 e mais tarde senador estadual por São Paulo em 1923. Seu filho João Galeão Carvalhal Filho foi deputado estadual por São Paulo em 1925-1927, Secretário do Interior em 1927 e deputado federal eleito em 1930. Outro filho, Manoel Galeão Carvalhal, foi prefeito de Santos em 1904-1905, 1916-1917.

Por fim, em Curitiba (PR), o caravelense Cyro Persiano de Almeida Vellozo foi intendente em 1895-1896.

Esta lista preliminar de membros do clã Almeida que foram políticos não inclui os cônjuges de mulheres Almeida que também foram políticos, nem os inúmeros Almeida que foram vereadores em cidades como Alcobaça, Caravelas e Teixeira de Freitas.

(Fonte: SAID, Fabio M. O clã Almeida de Caravelas e Alcobaça. São Paulo: edição do autor, 2010. pp. 203-204.)

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