
Nas primeiras décadas após a fundação da vila de Alcobaça, em 1772, a população da vila era formada principalmente por índios que trabalhavam na lavoura; escravos de Angola, Congo etc.; indivíduos deportados do Rio de Janeiro; colonos de Portugal continental, do Arquipélago dos Açores e da Ilha da Madeira; indivíduos de outras capitanias e vilas, tais como Porto Seguro, São Mateus, Vitória, Rio de Contas etc. e oficiais do governo, tais como capitães, alferes, sargentos, tenentes etc.
A presença de colonos portugueses é registrada somente em 1784. Nesse ano, os imigrantes portugueses João José de Medeiros, nascido por volta de 1766, e Córdula Maria do Espírito Santo, ambos naturais da Ilha de São Miguel, Arquipélago dos Açores, aparecem como padrinhos em alguns batizados. Trata-se também do primeiro registro do sobrenome Medeiros em Alcobaça. Estes e outros registros fazem supor que o casal teria chegado em Alcobaça por volta de 1783, talvez fazendo parte de uma das levas de imigrantes açorianos que estabeleceram-se no Brasil depois do famoso edital de 9 de agosto de 1747, no qual os açorianos eram estimulados a tentarem a sorte em terras brasileiras. Mas isso, infelizmente, ainda é suposição, pois não foi possível descobrir o motivo da imigração.
João José de Medeiros, o patriarca dos Medeiros de Alcobaça, logo começou sua ascensão social. Em 3 de setembro de 1798, ele recebeu carta patente para o posto de Alferes da Primeira Companhia do Terço de Alcobaça. Ele aparece ainda como testemunha em um documento oficial de 18 de outubro de 1803 e enviado a Lisboa para comprovação dos progressos feitos no amansamento de índios na Vila de Alcobaça. O documento (ver abaixo) descreve João José como "homem branco, viúvo, da governança desta vila, que vive de suas lavouras, natural da Ilha de São Miguel, morador nesta vila, de idade que disse ter de 37 anos."

Desse casal nasceram pelo menos três crianças: Manoel (23 de abril de 1789), João José (fevereiro de 1790) e Ana (20 de janeiro de 1792). Manoel e Ana devem ter morrido ainda crianças, pois não há registros sobre eles depois do nascimento. Quanto ao terceiro filho, João José, este teve uma grande família.
O segundo João José de Medeiros, que foi capitão na Guarda Nacional em Alcobaça, casou-se com Úrsula Marianna das Virgens, que nasceu em Alcobaça em 16 de setembro de 1794, filha de João Garcia da Fonseca e de Francisca Antônia de Paula. A família de Úrsula meio baiana, meio catarinense, mas de ambos os lados havia ancestrais das ilhas portuguesas. O pai de Úrsula, João Garcia, nasceu na Freguesia de São José da Ilha de Santa Catarina por volta de 1766 e faleceu em Alcobaça em 24 de maio de 1834; era filho de Manoel Garcia de Azevedo e de Úrsula Marianna, ambos naturais da Ilha do Pico, Açores. A mãe de Úrsula, Francisca Antônia, nasceu na Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Santa Cruz (atual Santa Cruz Cabrália), no Sul da Bahia, por volta de 1780, filha do Capitão Manoel de Faria, natural da Ilha da Madeira e residente em Santa Cruz, e de Maria Isabel de Figueiredo, natural da Freguesia de Nossa Senhora de Santa Cruz.
O capitão João José faleceu em 30 de julho de 1842 e teve registro de óbito lavrado em Caravelas, no qual consta que foi "absolvido e ungido, tendo-se anteriormente confessado e sacramentado na Vila de Alcobaça, com testamento, encomendado em casa, onde estava amortalhado em hábito de São Francisco".
Da união de João José de Medeiros com Úrsula Marianna das Virgens resultaram pelo menos 13 filhos, listados a seguir (não necessariamente por ordem crescente de nascimento):
2.1. João José de Medeiros Júnior
2.2. Anna Maria da Conceição
2.3. José Pavão de Medeiros
2.4. Manoel Cândido de Medeiros
2.5. Antonio Garcia de Medeiros
2.6. Bernardo Garcia de Medeiros
2.7. Miguel João de Medeiros
2.8. Macedonio João de Medeiros
2.9. Porcina Marianna das Virgens
2.10. Ismael
2.11. Querubina Garcia de Medeiros
2.12. Maria
2.13. Joaquim
Veja abaixo a árvore genealógica do clã Medeiros, somente até a segunda gração brasileira, de c. 1766 a c. 1835 (clique na imagem para ampliar):

Árvore genealógica do clã Medeiros de Alcobaça - clique para ampliar
Antes de prosseguir a leitura, veja este vídeo que resume a história de 220 anos e 10 gerações do clã Medeiros de Alcobaça:
Desses 13 filhos, alguns morreram ainda na infância, como era normal naquela época em que a medicina ainda não era tão desenvolvida quanto hoje. Os que sobreviveram se envolveram em um intenso mecanismo de uniões endogâmicas ou consangüíneas (casamentos entre parentes), fenômeno muito comum entre as famílias antigas de Alcobaça e que perdurou durante mais de 150 anos. O filho número 1, por exemplo, também chamado João José de Medeiros, casou-se com uma primeira carnal, da família de sua mãe. E entre seus próprios filhos e os filhos dos seus irmãos, os casamentos consangüíneos proliferavam, levando algumas pessoas a acreditar que os Medeiros só se casavam com outros Medeiros (não é verdade, pois os Medeiros também se casavam com outras famílias antigas e abastadas, como os Muniz e os Almeida).
É nessa segunda geração brasileira que os Medeiros começam a se tornar um clã, com intrincados entrelaçamentos e subdivisões. Entre as grandes subdivisões do clã Medeiros de Alcobaça, os chamados ramos familiares, podem ser facilmente reconhecidos dois grandes ramos: os Garcia de Medeiros e os Costa Medeiros.
Os Costa Medeiros são descendentes do capitão Antonio da Costa e Silva, cidadão de Porto Seguro que se casou com Porcina Marianna das Virgens (1833-1900, foto ao lado), também conhecida como Porcina Marianna de Medeiros, neta dos primeiros Medeiros de Alcobaça. Antonio e Porcina fundaram família em Alcobaça e quase todos os seus filhos se casaram com primos carnais, multiplicando o sobrenome Costa Medeiros e mantendo-se por mais algumas gerações como proprietários de terras em Alcobaça, além de alimentar a sensação de pertencimento a um grande clã. Pertencem a esse grande ramo as famílias Figueiredo de Medeiros, Teixeira de Medeiros, Palmeira de Medeiros, Medeiros de Almeida etc., incluindo, é lógico, seus descendentes, tenham eles ou não o sobrenome Medeiros.
Os Garcia de Medeiros, por outro lado, são descendentes de Antonio Garcia de Medeiros (1823-1912, foto ao lado), neto dos primeiros Medeiros e irmão da mencionada Porcina, e de Rosaura Pereira da Cruz. Como a família da matriarca Rosaura era de Caravelas, este ramo se dispersou e não tem o mesmo vínculo forte com Alcobaça que têm os Costa Medeiros. Na terceira geração deste ramo, vários membros foram morar ou na capital baiana ou em outras regiões do país, como os irmãos Rocha Medeiros, que saíram de Alcobaça para cursar faculdade e não voltaram a se estabelecer lá. Pertencem ainda a esse grande ramo as famílias Medeiros Guerra, Telhada de Azevedo, Medeiros Trancoso, Rodenburg de Medeiros Netto, Faria Motta Medeiros etc., incluindo seus descendentes.
Há, naturalmente, outras famílias Medeiros que não se enquadram nem entre os Costa Medeiros, nem entre os Garcia de Medeiros. Por exemplo, os Medeiros Muniz, cuja ligação mais forte era com o grande clã Muniz de Alcobaça e Caravelas.
Atualização em 02/03/2010:
Em novembro/2009 foi publicado "O clã Medeiros de Alcobaça-Bahia", livro de 396 páginas que cobre 220 anos de história dos Medeiros, um clã cuja trajetória se confunde com a trajetória da própria cidade. A obra contém centenas de minibiografias de membros do clã, álbuns de família, crônicas familiares e árvores genealógicas e é complementada ainda com referências bibliográficas e índice onomástico. Para saber mais sobre o livro, clique na imagem abaixo:

O clã Medeiros de Alcobaça
Data: 2.10.07
5 comentários


5 comentário(s):
Internautas alcobassenses de plantão,me ajudem.
Preciso encontrar um antigo distrito de Alcobaça cujo nome na época era Rancho Queimado, lugar em que vivi minha primeira infância.Em minhas memórias sei que saindo de lá o próximo povoado era Vila Progresso.Sei também que existe um lugar chamado "Patrimõnio dos Plínios". Se alguém puder me ajudar a chegar a um desses lugares ficarei além de agradecida, imensamente feliz, pois terei a oportunidade de resgatar minha história pessoal.Obrigada.
Josely Antunes - Vila Velha ES
a minha familia e de medeiros sampaio..queria conhecer parentes distantes ....
Sr FABIO Said - Sou sim neto de Jó Garcia de Medeiros . A historia que meu avó me contou quando eu tinha uns dez anos e que ele saiu de Alcobaça por ter havido uma briga com o pai,por causa de politica e que o pai dele tinha muito dinheiro,fazendas e ilha com plantação de coco.
Claudio, se seu avô era Jó filho de João Garcia de Medeiros e irmão de Hilda, Carolina e Gil, ele era filho do segundo casamento de João Garcia de Medeiros, com Felicidade da Silva Souza.
João Garcia de Medeiros, que era fazendeiro e primo carnal do senador Medeiros Netto e sobrinho do coronel Garcia Junior, teve com uma terceira mulher outros filhos, entre eles sr. Agnelo, que eu conheci e fotografei em Alcobaça 3 anos atrás.
Se você comprou o livro "O clã Medeiros de Alcobaça-Bahia", procure os nomes João Garcia de Medeiros e Felicidade da Silva Souza que você achará seu avô.
Sr Fabio : Agora eu estou sabendo porque o nome de minha mãe é FELICIDADE !
Postar um comentário